O preço do aluguel nos bairros periféricos de São Paulo subiu, em média, 68% entre 2020 e 2025. Isso é mais do que o aumento nos bairros centrais, que foi de 52% no mesmo período. A informação vem de um levantamento do Observatório das Metrópoles, mas raramente aparece no debate público sobre habitação.
A narrativa dominante sobre a crise habitacional brasileira se concentra nos centros urbanos — nos apartamentos compactos que custam R$ 800 mil, nos bairros gentrificados, nos jovens de classe média que não conseguem comprar imóvel. É uma narrativa real, mas incompleta.
Quem mais sofre
Nas periferias, a crise tem outra cara. São famílias que gastam 50%, 60%, às vezes 70% da renda com aluguel. São pessoas que moram em cômodos de 20 metros quadrados com quatro pessoas. São trabalhadores que precisam se mudar para municípios ainda mais distantes porque não conseguem mais pagar o aluguel no bairro onde sempre viveram.
O fenômeno tem um nome nos estudos urbanos: "periferização da periferização". As populações mais vulneráveis são empurradas cada vez mais para as bordas das cidades, aumentando o tempo de deslocamento, reduzindo o acesso a serviços e aprofundando a desigualdade territorial.